Noz-pecã, superalimento rico em antioxidantes 'anti-envelhecimento', terá supersafra em 2026
03/05/2026
(Foto: Reprodução) Noz-pecã, superalimento rico em antioxidantes 'anti-envelhecimento', terá supersafra
O Brasil deve ter uma supersafra de noz-pecã em 2026. A expectativa é de que a produção ultrapasse as 7 mil toneladas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan). Se confirmada a supersafra, será um ano recorde, à frente de 2023, quando o volume ultrapassou as 6 mil toneladas.
🥜 O Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da produção de noz-pecã no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E o Brasil, por sua vez, é o quarto produtor do fruto no mundo.
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A noz-pecã é considerada um superalimento devido à sua alta saudabilidade. Este fruto seco oleaginoso é rico em antioxidantes e tem alta capacidade natural de vitamina E. Por isso, seu consumo é hoje associado ao combate ao envelhecimento: o anti-aging.
“A noz-pecã tem uma capacidade antioxidante estupenda, gigante, muito maior que a maioria das outras frutas secas, então ela é considerada hoje como um superalimento”, afirma o presidente do IBPecan, Claiton Wallauer.
Um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) analisou 277 tipos diferentes de alimentos e identificou que a pecã é a noz com maior capacidade antioxidante.
🔎 Os antioxidantes são substâncias encontradas em alimentos que protegem as células contra danos dos radicais livres. Radicais livres são moléculas instáveis que podem ser produzidas naturalmente pelo nosso organismo durante processos como a respiração celular, ou podem ser geradas por fatores externos, como poluição, radiação, cigarro e alimentação inadequada.
O estudo destaca ainda que a noz-pecã é rica em compostos bioativos, como ácidos graxos insaturados, fibras, vitaminas (especialmente vitamina E), minerais e polifenóis.
O consumo da noz-pecã pode gerar redução do risco cardiovascular, ajudando a diminuir o colesterol "ruim" (LDL) e aumentar o colesterol "bom" (HDL). Pode provocar, ainda, ação anti-inflamatória, controle glicêmico e benefícios para a saúde em geral.
Por isso, o consumo do fruto está aumentando e ganhando espaço para além das receitas, passando a entrar no mundo dos cosméticos.
“A pecã é muito utilizada como ingrediente, desde bolos, tortas, doces, chocolate, sorvete e barras de cereal. E hoje está sendo utilizada até para cosméticos, por causa da sua capacidade nutracêutica. Seus óleos são muito usados na linha de farma também”, afirma Wallauer.
Ele explica: “produtos como cremes para o corpo, bases de shampoo, creme hidratante, anti-aging, tudo isso por causa dos óleos que a noz-pecã tem, com uma capacidade natural de vitamina E muito grande e altamente biodisponível. É também usada na linha das vitaminas”.
Supersafra ajuda produtores após dois anos de resultados negativos
A 8ª Abertura Oficial da Colheita de Noz-Pecã ocorre no dia 8 de maio, em Nova Pádua (RS). O ano de 2026 promete um alento aos produtores depois de duas safras frustrantes.
Em 2024, a época da colheita coincidiu justamente com as chuvas que, acumuladas, viriam a desencadear as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul naquele ano.
“Foi um ano catastrófico. Não conseguimos colher nem um terço do que era esperado e o mercado ficou desabastecido. Muita gente ficou sem faturar. Com as cheias, os pomares que ficavam perto de rios, foram levados embora”, relata o presidente do IBPecan.
“E 2025 não foi muito diferente, porque a maioria dos pomares ainda estavam se organizando”, completa.
A própria característica natural da Nogueira, árvore que dá o fruto da noz-pecã, deve trazer um ciclo de fartura para o RS.
“A Nogueira tem ciclos de alta e de baixa produção, dependendo do ano. Como ela passou por dois anos de baixa produção, acabou criando reservas naturais. O clima também ajudou. Então, é uma série de condições climáticas e biológicas dos pomares que está favorecendo para uma produção boa esse ano”, diz Wallauer.
Novos mercados
Com a produção em alta, o mercado doméstico pode não absorver totalmente a oferta neste ano. O IBPecan projeta que o brasileiro consuma de 4 a 5 mil toneladas por ano do produto.
Para evitar queda de preços ao produtor, as vendas para o exterior podem se tornar uma alternativa.
“Com esse excedente de produção que vai acontecer no ano de 2026, o mercado de exportação é uma saída viável para o produto que está aqui dentro do Brasil. É uma saída muito esperada pelo produtor”, afirma Wallauer.
Ele aponta que muitas das empresas de beneficiamento de nozes que trabalham junto ao IBPecan já foram visitadas por importadores e já trabalharam com exportação.
"A maior ênfase é com empresas que se especializaram e cresceram em suas capacidades de processamento para atender um mercado cada vez maior da noz descascada no exterior, que é o produto de maior venda hoje no mercado externo. É por praticidade. O pessoal já quer o produto já descascado para trabalhar no mercado de food service”, explica o presidente do instituto.
Produção de noz-pecã
Fazenda Pecanita/Divulgação
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