'Hora Extra': 10 dias após a chegada, companheira do cavalo Caramelo se adapta à vida em hospital veterinário no RS
19/09/2026
(Foto: Reprodução) 'Hora Extra': como está a companheira de Caramelo 10 dias após chegada
Há 10 dias, a égua Hora Extra chegou ao Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, local que acolhe o cavalo Caramelo. Após passar pelo processo de adaptação, ela deve se tornar a companheira do animal que virou celebridade no RS. A expectativa, é que eles tenham um filhote.
🐴 Símbolo de resistência durante as enchentes no Rio Grande do Sul, Caramelo foi resgatado em 9 de maio de 2024. A imagem do cavalo preso em um telhado rodou o mundo e comoveu o país. Meses depois, ele foi oficialmente adotado pela Ulbra. Com cerca de 11 anos, ele ganhou um piquete exclusivo de 250 metros quadrados, onde passa boa parte do dia correndo, pastando e rolando na grama.
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A égua desembarcou na universidade no último dia 9, vinda de uma propriedade rural de São Sebastião do Caí. Com seis anos de idade, ela foi doada à instituição. Hora Extra tem 350 quilos. Apesar de ter chegado em boas condições de saúde, recebe alimentação complementar. Como vivia solta no campo, está magra e com bastante pelagem.
Antes de qualquer tentativa de acasalamento, ela está passando por exames e por um período de adaptação ao novo ambiente.
De acordo com a médica veterinária e diretora da unidade, Laura Martins Cezimbra, a égua já fez exames de sangue, que não mostraram nenhuma alteração, e também alguns exames reprodutivos.
"Foi observado que ela tem, sim, os folículos, o ovário funcional, só que ainda não está em fase de reprodução. Então a ideia agora é engordar mais ela", explica a veterinária.
Segundo Cezimbra, as éguas começam entre setembro e outubro a fase de reprodução, período em que o dia fica mais longo e as temperaturas ficam mais altas. "Possivelmente, logo em seguida, em outubro ou novembro, ela já vai voltar a ter cio."
Apesar de dividirem áreas próximas, os animais não foram colocados juntos. Em um primeiro momento, a adaptação ocorre com ambos em piquetes vizinhos, permitindo que se enxerguem e permaneçam perto um do outro.
Por que o nome "Hora Extra"?
O nome Hora Extra vem de uma curiosidade: ela demorou cerca de 10 dias a mais para nascer. Conforme a veterinária, o período médio de gestação dos equinos é de 360 dias.
"Falando com o pessoal que doou ela, comentaram que foi porque ela ficou uns dias a mais no útero da mãe dela. Então, ela já estava fazendo 'hora extra' na barriga da mãe. Por isso, ficou esse nome", conta a veterinária da Ulbra.
Além disso, há outro motivo que contribuiu para a escolha, a primeira letra do seu nome deveria ser H.
"No ano que ela nasceu, a letra para começar o nome era o H. No meio dos cavalos, é muito comum isso. Todo ano é uma letra específica", explica a veterinária.
Segundo a universidade, ela foi escolhida como companheira para Caramelo por conta de características consideradas importantes para o projeto. Entre elas, está o fato de que ela não possui histórico de reprodução, tem perfil dócil e também poderá ser utilizada em atividades práticas do curso de Medicina Veterinária.
'Hora Extra': 10 dias após a chegada, companheira do cavalo Caramelo se adapta a hospital veterinário no RS
Ulbra e RBS TV/Reprodução
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Projeto de reprodução
A ideia de permitir que Caramelo tenha um filhote nasceu da relação criada entre o animal e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. De acordo com a veterinária, os seguidores costumam pedir novidades sobre a vida do cavalo e demonstram interesse em acompanhá-lo em novas fases.
Embora não possa conviver livremente em grupo por ser um garanhão — um cavalo macho não castrado —, ele mantém contato próximo com outros equinos que vivem no campus, incluindo fêmeas.
"Se viu que ele tinha bastante interesse, comportamento de garanhão. Em reuniões, inclusive comentando se castra ou não castra, o pessoal surgiu com a ideia de ter um filhote para de fato fazer a questão mais social do Caramelo com os seus seguidores", explica Cezimbra.
A diretora afirma que a iniciativa não tem relação com preservação genética. Segundo ela, o objetivo está ligado ao significado que Caramelo passou a representar para muitas pessoas após a enchente. Para a universidade, a história do animal desperta um forte vínculo afetivo e funciona como uma mensagem de resistência e superação.
Cavalo Caramelo agora está hospedado no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas
Bruna Linck/Ascom Ulbra
Relembre o resgate
Cavalo que ficou ilhado sobre o telhado de uma casa no RS é resgatado
O resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo — veterinários acompanharam toda a ação. Caramelo precisou ser sedado porque a equipe foi alertada que, para o bote não virar, o animal não poderia estar acordado durante o trajeto.
Seco, Caramelo, ainda dentro do bote, foi colocado em cima de uma carreta e, em seguida, levado ao hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdida nas horas em que ficou ilhado.
A mobilização da população e das forças de segurança comoveu o país e sintetizou a relação histórica do cavalo com o povo gaúcho. O cavalo crioulo é animal-símbolo do RS e considerado patrimônio cultural desde 2002. A relação com o animal é uma tradição que faz parte do DNA do povo gaúcho.
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