'Dopava e praticava estupros', diz delegado sobre cardiologista preso por suspeita de crimes sexuais contra pacientes no RS; 14 vítimas já foram ouvidas
01/04/2026
(Foto: Reprodução) Médico é preso suspeito de abuso contra pacientes no RS
A Polícia Civil identificou, até esta quarta-feira (1º), 14 possíveis vítimas do médico preso preventivamente em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por suspeita de crimes sexuais praticados durante consultas. São pacientes mulheres que fizeram registro de ocorrência e já prestaram depoimento.
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A investigação mantém busca ativa e acredita que número seja maior. Conforme a polícia, o cardiologista Daniel Pereira Kollet agiria desta forma há pelo menos dois anos. Ao final da consulta, ele pedia segredo às pacientes.
Segundo o delegado, uma das pacientes relatou à polícia que Kollet a prescreveu o uso de medicação controlada e pediu que ela retornasse ao consultório periodicamente. De acordo com o depoimento, foi durante essas consultas que o médico a estuprou.
"Foi abusada várias vezes, porque ele mandava voltar na clínica. Ele dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática. A vítima andava dopada, se arrastando. Ela está vulnerável, então configura estupro de vulnerável", explica Valeriano.
A mulher teria percebido que havia alguma coisa errada e levou uma familiar junto na consulta. "Nesse dia, ele não encostou um dedo nela", diz o delegado. A paciente buscou outro profissional, que afirmou que ela não tinha problema de saúde e não precisava tomar remédio.
O advogado Rômulo Campana, do escritório que representa o médico, nega as acusações e alega que "trata-se de médico há quase 30 anos, com conduta ilibada, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes".
Médico é preso suspeito de crimes sexuais contra pacientes no RS
Divulgação/Polícia Civil
Informalmente, durante a prisão, o médico teria admitido que abraçava as vítimas, com a "intenção de demonstrar carinho e de orientações espirituais", conforme o delegado.
"Abraçava, beijava e acariciava enquanto elas estavam sem roupas durante a consulta médica, sem o consentimento das mesmas. As vítimas ficavam em estado de choque e sem reação", relata o delegado.
Daniel Pereira Kollet foi encaminhado para o Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), centro de triagem de presos na capital.
Denúncias anônimas pode ser feitas no telefone (51) 98443-3481.
Médico é preso suspeito de importunação sexual contra pacientes no RS
Divulgação/Polícia Civil
O que diz a defesa do médico
"Nosso escritório ainda não teve acesso ao inquérito que originou a prisão, contando, até o momento, apenas com informações preliminares. Em conversa com nosso cliente, este negou integralmente todas as acusações que lhe foram imputadas.
Trata-se de médico há quase 30 anos, com conduta ilibada, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes.
Tão logo tenhamos acesso integral aos autos, nosso escritório emitirá nota oficial, que permitirá o completo esclarecimento dos fatos."
O que diz o Cremers
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) divulgou nota a respeito do caso (leia íntegra):
"O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso. A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis."
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