Caso Samylle: Polícia indicia tios por homicídio triplamente qualificado de menina de 4 anos que sofreu agressões

  • 28/08/2026
(Foto: Reprodução)
Caso Samylle: tia de menina de 4 anos morta após agressões é presa no RS A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, e indiciou os dois tios da criança por homicídio triplamente qualificado e maus-tratos. Segundo a corporação, o casal, Eduarda Beatriz Costa Ramiro e Nicolas Gabriel Almeida Staubus, foi responsabilizado pelo crime com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e por a vítima ser uma criança. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Samylle morreu no dia 17 de agosto. Ela foi levada já sem vida pelos tios a uma UPA em Porto Alegre, com manchas roxas pelo corpo. O atestado de óbito apontou politraumatismo como causa da morte. A menina morava há cerca de dois meses com os tios, com aval do Conselho Tutelar. Ela chamava de pai o homem indiciado pelo crime. A investigação também informou que a mãe da criança é investigada por suspeita de maus-tratos em um inquérito separado, que apura episódios ocorridos antes de Samylle passar a viver com a tia. Em nota, a defesa de Nicolas informou que recebeu "a notícia do indiciamento com indignação e surpresa tendo em vista que aguardamos decisão judicial determinando que seja dado acesso integral ao inquérito policial, decisão esta que ainda sequer foi exarada". Leia, abaixo, na íntegra. A reportagem não localizou a defesa de Eduarda Beatriz e mantém espaço aberto para posicionamento. Relembre o caso O caso ganhou repercussão após a morte da menina, que foi levada já sem vida pelos tios a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Alegre. Conforme o atestado de óbito, a causa da morte foi politraumatismo. À época, Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, tio da criança, confessou ter agredido a sobrinha. Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil encaminhará o caso ao Ministério Público, que avaliará o oferecimento de denúncia à Justiça. LEIA TAMBÉM: Polícia investiga morte de criança de 4 anos em Porto Alegre após agressões 'A investigação vai dizer se foi vítima de tortura', afirma delegado Mãe de menina presta depoimento à polícia e diz que não via filha há dois meses 'Chamava ele de pai', diz delegada sobre vínculo entre criança e tio que confessou agressões O que falta saber sobre caso Samylle O que diz a defesa de Nicolas Staubus "Recebemos a notícia do indiciamento com indignação e surpresa tendo em vista que aguardamos decisão judicial determinado que seja dado acesso integral ao inquérito policial, decisão esta que ainda sequer foi exarada. A defesa ainda não teve acesso integral aos elementos de prova já documentados em clara afronta a súmula vinculante n 14 do STF, ainda hoje reiterou o pedido de acesso nos autos do pedido de prisão preventiva de Nicolas, único expediente que a defesa teve acesso até o momento. Também apresentou quesitos complementares para que os peritos respondam, assim como o ministério público. Se houve o indiciamento, tal fato só demonstra como o presente caso tem sido tratado com açodamento exagerado pela autoridade policial, desconectado de sua função precípua de investigação isenta de pressões sociais e midiáticas, em busca do enfrentamento de todas as hipóteses investigativas possíveis para um fato tão triste para toda a família da vítima. Esperamos que tais distorções ocorridas no nosso sistema de justiça criminal sejam corrigidas pelo judiciário de forma tão célere quanto tem sido a busca pela culpabilização sumária adotada até o momento. O devido processo legal é o marco civilizatório que nos trouxe até os dias de hoje não podemos coadunar com posturas desarrazoadas que nos afastam do estado democrático de direito vigente. Demetrius Teixeira, Marilu Espíndola e Aline Rassier, advogados de Nicolas Gabriel Almeida Staubus." Ponto a ponto Um infográfico do g1 reúne os principais acontecimentos desde abril de 2025, quando a família passou a ser atendida pela rede de proteção. Veja abaixo. Menina de 4 anos morre no RS; tio é preso Arte/g1 Abril de 2025: guarda é retirada da mãe Em abril de 2025, a família de Samylle foi atendida pelo Conselho Tutelar. A guarda da menina foi retirada da mãe por meio de um termo de responsabilidade e repassada aos avós maternos. O histórico mostra que, desde então, a família passou por atendimentos do Conselho Tutelar, da Polícia Civil, da Justiça, do Ministério Público e da Defensoria Pública. Setembro de 2025: investigação é enviada à Justiça Em setembro de 2025, a Polícia Civil concluiu uma investigação envolvendo a família e encaminhou o inquérito à Justiça. No dia 29 daquele mês, foi realizada uma sessão de mediação entre familiares para tratar da guarda de Samylle. Dezembro de 2025: menina volta para a mãe Em 2 de dezembro de 2025, a Justiça homologou um acordo que devolveu a guarda de Samylle à mãe, com possibilidade de visitas do pai. A partir desse momento, a menina deixou de morar com a irmã mais velha, que também é criança. Julho de 2026: tia assume responsabilidade provisória Em julho de 2026, a tia de Samylle procurou o Conselho Tutelar da 3ª Região e informou que a mãe da menina enfrentava um problema de saúde. A tia passou a ser responsável provisoriamente pela criança por meio de um termo. A mudança não ocorreu por decisão judicial de guarda. Segundo a defesa da mãe, a tia impedia que ela visitasse ou mantivesse contato com a filha. O pai também afirmou que não conseguia ver a menina. A mãe declarou à polícia que estava havia pelo menos dois meses sem encontrar Samylle e que não mantinha contato com a filha nem por videochamada. 9 de agosto: avós percebem ferimentos Em 9 de agosto, durante um encontro de Dia dos Pais, os avós maternos perceberam ferimentos no corpo de Samylle. Eles receberam a informação de que as marcas haviam sido provocadas por uma queda. 13 de agosto: tia procura a Defensoria Pública Quatro dias depois, em 13 de agosto, a tia procurou a Defensoria Pública. Ela recebeu orientação para reunir documentos e ingressar com uma ação de guarda definitiva, mas não retornou para apresentá-los. 17 de agosto: Samylle chega sem vida à UPA Em 17 de agosto, Samylle foi levada pela tia e pelo tio à Unidade de Pronto Atendimento Bom Jesus. A menina chegou ao local já sem vida. Segundo a Polícia Civil, o tio deixou a unidade ao perceber a chegada dos policiais. A criança apresentava manchas roxas pelo corpo. O atestado de óbito confirmou que Samylle morreu em razão de politraumatismo. 20 de agosto: tio é preso preventivamente Nicolas Gabriel Almeida Staubus foi preso preventivamente na manhã de 20 de agosto. Em depoimento, ele afirmou que deu "umas palmadas com intuito de correção no bumbum da menina em razão dela ter feito cocô nas calças", segundo a delegada responsável pelo caso. A Polícia Civil afirma que a versão não é compatível com as marcas encontradas no corpo da criança. De acordo com a investigação, o tio era quem passava a maior parte do tempo com Samylle porque a tia trabalhava fora. Até o momento, a tia é considerada testemunha. 21 de agosto: Justiça mantém prisão Após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (21), o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul manteve a prisão preventiva do investigado. "O cumprimento do mandado de prisão foi considerado regular. O custodiado solicitou que sua defesa seja realizada pela Defensoria Pública", informou a defensoria. O Ministério Público havia se manifestado favoravelmente à prisão preventiva e apontado a "extrema gravidade concreta dos fatos investigados". Samylle Valentina Borba Ramiro, menina de 4 anos que morreu no RS Reprodução VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/08/28/caso-samylle-policia-indicia-tios-homicidio-menina-4-anos-sofreu-agressoes.ghtml


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