Temporal causou perdas totais em 300 hectares de aveia branca e 600 hectares de canola em Não-Me-Toque

  • 31/07/2026

Temporal causou perdas totais em 300 hectares de aveia branca e 600 hectares de canola em Não-Me-Toque

Após os episódios de temporal e chuvas nos dias 27 e 28 de junho, equipes da Emater de Não-Me-Toque continuam tabulando os prejuízos nas áreas rurais do município.

Ícaro Oliveira, responsável pelo escritório da Emater no município de Lagoa dos Três Cantos e que está respondendo temporariamente pela Emater também em Não-Me-Toque, comenta que a equipe contabiliza, a partir de então, as estimativas dos prejuízos no interior para tabular os valores em milhões.

Segundo o levantamento preliminar, cerca de 300 hectares de aveia branca foram totalmente perdidos.

Na canola, o impacto foi ainda maior: 600 hectares tiveram perda total e outros 300 hectares registraram perdas de até 30%.

No trigo, a estimativa aponta 500 hectares com perdas de até 30%. Em todo o município de Não-Me-Toque, para o plantio de inverno as estimativas apontavam área total cultivada com trigo de 5.500 hectares, 2 mil hectares o total plantado com canola e 1.500 dedicados à aveia branca.

Com o temporal dos dias 27 e 28 de junho, as pastagens também foram atingidas.

Aproximadamente 180 hectares terão que ser replantados após perda integral.

O setor leiteiro sofreu com a falta de energia. Mais de mil litros de leite deixaram de ser recolhidos por causa de quedas de luz e de estradas bloqueadas que impediram a passagem dos caminhões.

Na infraestrutura, o balanço parcial aponta danos em cerca de 30 galpões no interior e 150 casas.

Houve ainda prejuízos em açudes e em áreas de hortaliças. A silvicultura também registrou perdas significativas.

Mais de duas mil árvores de eucalipto foram derrubadas.

O número ainda não inclui os danos à vegetação nativa no interior, que também foi bastante afetada.

Os dados seguem sendo levantados e os prejuízos totais devem ser atualizados nos próximos dias, conforme as equipes finalizarem a vistoria nas propriedades.

Contudo, conforme Oliveira, apesar dos danos expressivos, os episódios não são considerados os piores dos últimos anos, pois foram pontuais, atingindo principalmente 6 das 19 localidades do interior de Não-Me-Toque. São José do Centro, Colônia Vargas, Invernadinha, São Roque e Linha Gramado foram as localidades mais atingidas.

SEM INCIDÊNCIA DE GRANIZO, O MAIOR PREJUÍZO NO INTERIOR DE LAGOA DOS TRÊS CANTOS É EM ESTRADAS E PONTES

Em Lagoa dos Três Cantos, Oliveira explica que houve chuva forte e ventania, mas não registrou ocorrência de granizo.

Por isso, os maiores danos ficaram concentrados na área urbana.

Lagoa dos Três Cantos teve, principalmente no perímetro urbano, queda de muitas árvores e destelhamento de diversas casas.

Na localidade de Linha Kronenthal, próxima à sede, alguns galpões foram destelhados e outros chegaram a desabar com a força do vento.

Já nas lavouras, como não houve incidência de granizo forte, as lavouras não apresentam, até o momento, perdas consideráveis. “A parte agrícola dentro do município não está apresentando perdas consideráveis.

Isso a gente vai ver mais pra frente, mas acredito que nós não tenhamos uma perda considerável a ponto de a cultura implantada não se recuperar”, avaliou Oliveira, que ponderou que no interior de Lagoa dos Três Cantos os maiores danos são de estradas e pontes nas divisas do município.

O gerente regional da Emater, Oriberto Adami, comenta que, de modo geral, nas lavouras da região, os impactos das chuvas de junho nas lavouras de inverno ainda serão mensurados.

Ele explica que o excesso de água provoca erosão hídrica com arraste de solo, deixando as áreas encharcadas. As lavouras recém-implantadas são as mais sensíveis.

É o caso da canola plantada em junho, que teve grandes dificuldades de germinação. Já a canola semeada em maio está em melhor situação e se encontra em floração. No trigo, o problema está na fase inicial. A cultura depende de adubação nitrogenada de cobertura, mas o excesso de umidade provoca a lixiviação do nitrogênio. “Esse arranque inicial do desenvolvimento vegetativo, principalmente do trigo, não tem se desenvolvido bem. É uma situação que prejudica muito”, avalia Adami. Além disso, a umidade favorece a ocorrência de doenças fúngicas. Com o solo molhado, muitos produtores não conseguem entrar nas lavouras para fazer o tratamento.

Fonte: Portal Gazeta


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